|
1 a 9 de Dezembro 2006
4º Encontro de Teatro Ibérico
|
|
As sessões de comunicações e debates integraram este ano também, pela primeira vez, um tempo consagrado a leituras dramatizadas de excertos de novos textos para a cena. Após a abertura dos trabalhos na tarde de 1 de Dezembro, com uma alocução de boas vindas pelo Dr. José Ernesto de Oliveira, presidente da Câmara Municipal de Évora, vários foram os intervenientes de Portugal e de Espanha a apresentarem as suas comunicações perante uma assistência muito diversificada e participativa, ao longo dos três dias calendarizados para estas jornadas, moderadas por Armando Nascimento Rosa (coordenação do encontro) e por José Russo (direcção do Cendrev). Quem optou por preencher este fim de semana alargado na companhia do IV Encontro de Teatro Ibérico, pode testemunhar a experiência excepcional de Ana Cristina Câmara, jovem investigadora em Teatro e Educação, que estagiou vários meses num projecto de Arteducação no Brasil, junto de uma comunidade do Movimento dos Sem Terra, sob a égide do Instituto Transformance, enquanto finalista de licenciatura da Escola Superior de Teatro e Cinema. O relato vivo da aventura desta portuguesa na América Latina abriu os trabalhos também com o fito que o Fórum de Teatro Ibérico mantém de abrir futuramente o universo dos encontros, na medida do possível, à realidade cultural e linguística ibero-americana. O encenador e autor Guillermo Heras, responsável pela Mostra de Teatro de Alicante, que conta já com múltiplas experiências de intercâmbio teatral com estruturas portuguesas, lançou pertinentes reflexões em torno da criação teatral contemporânea, que marcaram os debates da tarde do dia de arranque, no qual participaram, entre outros, António Mercado, Juan Pablo Heras, Filomena Oliveira, Carlos Machado Acabado, Tatjana Manojlovic, Ana Cristina Oliveira, António Aguiar, Rosário Gonzaga, Eduardo Condorcet, Isabel Medina, Luis Miguel Gonzalez Cruz, Maria Estela Guedes, Ana Luísa Janeira, Rui Pina Coelho, Nelson Boggio, Ana Amorim, Acácio de Carvalho, Manuela Bronze, Maria João Serrão, Paulo Lages, Ana Meira, Joaquim Paulo Nogueira, entre outros. No dia 2, a manhã foi reservada para uma reunião aberta do Fórum de Teatro Ibérico/Foro Teatral Ibérico, entidade que congrega as duas associações homónimas, portuguesa e espanhola, cuja existência foi dinamizada pela iniciativa destes encontros. José Monleón, presidente do IITM, não deixou de estar presente, uma vez mais, com as suas palavras carismáticas, bem como Miguel Murillo, director do Teatro Lopez de Ayala de Badajoz, com quem os Encontros de Évora mantém parceria e onde a associação espanhola, homóloga da portuguesa, tem a sua sede. De entre os assuntos e projectos conjuntos discutidos, importa salientar a proposta (a apresentar a entidades competentes para apoio nestes domínios) de levar a cabo uma série de traduções nas duas línguas, para editar em 2007 (em Portugal e em Espanha), de uma selecção, a designar, de obras da dramaturgia recente de ambos os países. E nova dramaturgia foi o tema que preencheu a tarde de 2 de Dezembro, com leituras dramatizadas de obras dos autores: Henrique Félix, actor, encenador e dramaturgo que apresentou excertos de duas peças suas (Queres fazer amor comigo? e uma outra ainda sem título definido), com a participação das actrizes Rita Frazão e Sílvia Balancho; Nelson Boggio, também actor, artista plástico, e jovem autor que leu na íntegra a sua peça breve Muros, na companhia da actriz Ana Amorim. Encerrando o painel de leituras, uma convidada de uma outra geração, Maria Estela Guedes, escritora, investigadora de História das Ciências e responsável pela edição electrónica do TriploV, um dos maiores acervos de produção escrita, das mais diversas áreas em língua portuguesa (e também em castelhano e em inglês), disponível na internet. Maria Estela Guedes trouxe o seu mais recente texto dramático, recém-publicado pela Apenas Livros, A Boba (Monólogo em três insónias e um despertador), uma recriação da anã de Inês de Castro, Maria Miguéis de seu nome, temática por isso em sugestiva tangência dialogal para com a obra de Nascimento Rosa estreada na véspera. Isabel Medina foi a actriz que deu voz pela primeira vez a esta boba, numa das insónias que Estela Guedes destinou à sua personagem. Seguiu-se uma conversa alargada entre a audiência e os três autores. A manhã de dia 3, que entrou pela tarde adentro de Domingo (de modo que o almoço foi feito mais de acordo com o horário espanhol), fechou os trabalhos com uma reflexão partilhada em torno dos espectáculos presentes na mostra, com especial incidência para os casos em que vários elementos das respectivas equipas criativas estavam diponíveis para participar; assim aconteceu, por exemplo com Juan Pablo Heras, e o grupo TA3 Teatro, que apresentaram as etapas de realização do seu projecto, que pretendia captar na cena o quotidiano dos sem abrigo nas grandes cidades de hoje. Luis Miguel Gonzalez Cruz, do Teatro Del Astillero, de Madrid, optou por anunciar um projecto desta companhia de autores e directores de cena, a ser levado a cabo em 2007, sobre uma quixotesca personagem histórica do final do séc. XIX espanhol, que realizou uma odisseia muito sui generis de Lisboa a Moscovo. Gonzalez Cruz despertou-nos assim a curiosidade sobre esta produção futura do seu colectivo, que conta já onze anos de existência. As palavras finais couberam a José Monleón, ancião incansável no entusiasmo por um diálogo teatral ibérico, manifestando o desejo imediato de se multiplicarem estreias de teatro português em Espanha e de teatro espanhol em Portugal. Quanto à mostra de espectáculos, essa continuaria até 9 de Dezembro, encerrando com quatro apresentações da co-produção Fuera, Fora, Dehors!, com um elenco de nacionalidades várias, projecto que germinou de encontros eborenses anteriores como o deste ano. |
| |
|
| ANEXOS:
Sessões de Debates
|
| |
|
|